PROF. JOSÉ TELES

1.RAÍZES PERNAMBUCANAS

Os primeiros membros da família do Professor José Teles de Carvalho chegaram ao “Brejo” provenientes de Águas Belas, Pernambuco, capitaneada por Anselmo Teles de Carvalho, em companhia dos pais e dos irmãos Estevão, Pedro, Maria e Catarina.

O Prof. José Teles, como gostava de ser chamado,  nasceu  no dia 15 de setembro de 1918, um domingo, no Sítio Garanhuns,  então  Brejo dos Santos, berço natural e terra de honrosas homenagens e reconhecimentos importantes, pessoais, mesmo para ele, portador de natureza humilde.

Filho de JOSÉ TELES DE CARVALHO, seu homônimo, e MARIA TELES DE CARVALHO. Sua infância foi das mais simples. Seus pais quando trocam o Sítio “Garanhuns”, de Propriedade de Pedro Teles de Carvalho, mais conhecido por Pedro Anselmo, pela Vila Brejo dos Santos, e passam a residir na Rua do “Juá”, atualmente Tiburtino Inácio, recebem o apoio de TERESA MARIA DE JESUS (D. Molequinha), pilastra e base da educação do professor José Teles, que passaria a integrar a história da vida do  sobrinho.

Dedicado e competente professor, contabilista por formação técnica e exímio orador. Outras qualidades e habilidades  do Professor Teles ainda vão soar nos mais longínquos tempos de sua existência e sua falta na vida social de sua terra natal.

Prestou serviços durante muito tempo na Câmara Municipal, como assessor da Presidência da Casa, de 1948 a 1979, deixando sua marca na administração pública do Município.

Foi leitor assíduo de diversos jornais de circulação regional.  Participou de vários cursos de extensão, entre eles O QUE É ECONOMIA, via UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, em 1983.

2.MORTE DO PAI

Em 1924, porém, o infortúnio abateu-se sobre a família. Faleceu José Teles de Carvalho, pai, deixando órfãos os  menores Josefa,   José  e João Teles, todos falecidos.

    anos  difíceis. O  menino  José começou a frequentar a Escola da  Professora Balbina Lídia Viana Arrais. Concluiu a terceira série do Curso Primário, último estágio.

Por diversas vezes o professor teceu comentários, enfaticamente, que repetidamente foi à sala de aula com livros emprestados por colegas, pois não podia comprar o material. Mas sua vontade de estudar foi mais forte e fez com que superasse as dificuldades cotidianas relativas ao seu protagonismo como estudante, razão pela qual se destacou nos estudos  e obteve a confiança e a simpatia dos professores, especialmente de D. Balbina.  Concluindo a terceira série do Curso Primário, último estágio, necessário era que o aluno José  procurasse outro estabelecimento para que pudesse prosseguir com estudos mais avançados.

3.D. BALBINA LIDIA ENCAMINHA JOSÉ

Concluindo a terceira série do Curso Primário, último estágio educacional que o processo educacional podia proporcionar, necessário era que o aluno José  procurasse outro estabelecimento para que pudesse prosseguir com estudos mais avançados. ONDE? COMO? COM QUE DINHEIRO?

Então, a “mão” salvadora de D. Balbina, outra benemérita, em correspondência com Frei Adalberto, Reitor do Colégio São Francisco,  Canindé, Ceará,  único colégio que abrigava alunos carentes na época, conseguiu matrícula para seu aplicado aluno.

Otacílio Anselmo registrou e divulgou o perfil da grande educadora e benfeitora da educação brejo-santense:

“D. Balbina nasceu em Lavras da Mangabeira, no dia 05 de dezembro de 1862.Prestou concurso para o Magistério Público no antigo Liceu do Ceará, em 1884, sendo aprovada com distinção. Em janeiro do ano seguinte, foi nomeada para o cargo de professora da cadeira do sexo feminino de S. Pedro do Crato (Caririassú), no governo de Carlos Honorio Benedito Otoni. Exerceu o  professorado em Várzea Alegre, Lavras, Barbalha e Iguatu. Desta cidade voltou a Várzea Alegre, e dali foi removida para Brejo Santo, em 25 de junho de 1898, ao tempo do Presidente Antônio Pinto Nogueira Acióli. Sua escola foi  instalada numa ampla casa do coronel Basílio Gomes da Silva, à rua Taboqueira, transferindo-se, depois, para o centro da cidade. Era casada com Lidio Dias Pedroso, que faleceu em Brejo Santo. Espírito cristão por excelência, caráter sem jaça e equilíbrio moral à toda prova, D. Balbina faleceu aos 89 anos, no dia 28 de fevereiro de 1951, depois de haver instruído nas letras duas gerações.”.

Foi, sem sombra de dúvidas, uma boa notícia e uma ótima chance de enriquecimento cultural, que D. Balbina proporcionava ao Prof. Teles, entretanto uma grande dificuldade deixava a todos da família do estudante preocupados, pois ameaçava  os anseios do vontadoso jovem: a falta de dinheiro para a viagem.  Nada estava perdido. Surge, assim, a corajosa  D. “Molequinha”, sua tia, que também empreendeu esforço em apoio a João Teles de Carvalho, irmão do Prof. Teles.

O IRMÃO JOÃO TELES

O mesmo esforço e trabalho foi desenvolvido por d. Molequina para que João Teles de Carvalho, tido como capacitado para seguir o mesmo rumo tomado pelo irmão “Zé Teles”, também conseguisse galgar instrução, conhecimento e experiência relevantes, conforme registros biográficas elaborados pelo próprio homenageado com o título deste trabalho.

E foi assim, através dos escritos feitos pelo Prof. Teles, que ficamos conhecendo um pouco sobre a vida de seu irmão:

“O Professor João Teles de Carvalho, nosso conterrâneo, de origem humilde, galgou vários degraus em sua profissional, tendo desempenhado, com honestidade e Brilhantismo, todas as tarefas que lhe foram determinadas. Concluiu, em sua cidade natal, o Curso Primário,sob os cuidados das Professoras Balbina Lídia Viana Arrais, Georgina Viana Arrais e Balbina Pedrosa Viana Arrais. A exemplo de de seu irmão – Professor José Teles de Carvalho – ingressou, no ano ano de 1931, no antigo “COLÉGIO DE SÃO FRANCISCO”, em Canindé, Ceará, onde terminou o Curso Secundário. Em seguida, freqüentou o Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, tendo concluído o Curso de Preparatórios. Abandonando aquele Centro de Vocações Sacerdotais, retornou a sua terra, onde permaneceu pouco tempo, de vez que resolveu partir para Canindé Nessa época, exerceu o magistério, no antigo “INSTITUTO FREI MATIAS”, sob a direção do Ilustre Professor RAIMUNDO MARTINS. Em 1940, acompanhou seu irmão José Teles de Carvalho que voltou a Brejo Santo. Juntamente com ele, no ano de 1941, fundou o “INSTITUTO PADRE VIANA”, Estabelecimento de Ensino Primário, para ambos os sexos. Apesar de modesto, logo demonstrou sua capacidade de trabalho e vasta cultura.

No ano de 1942, foi convidado pelo então Reitor do referido “Colégio de São Francisco” para exercer o magistério. Enquanto lecionava, preparava-se para vôos mais altos. Submetendo-se a concurso público, logrou aprovação para escrivão de Coletoria Federal. Começava, assim, sua caminhada para novas conquistas.

Foi nomeado, ainda por concurso, para Coletor Federal, sendo designado para a cidade de Cascavel, em nosso Estado.
No ano de 1955, foi incumbido, por seus superiores, para instalar, em sua terra, a Coletoria Federal, aqui permanecendo durante um ano. Terminada sua missão, retornou a Fortaleza, onde, continuando seus estudos, matriculou-se na Faculdade de Direito.

Atuando na qualidade de Inspetor de Consumo, indicaram-no para a cidade de Curitiba, no Paraná. Tendo sempre atuação brilhante nas funções que exercia, lá também aglutinou grandes simpatias. Foi um grande orador. Sabia dominar, com facilidade, a Língua Portuguesa.

No ano de 1968, infelizmente, na mesma cidade de Curitiba, faleceu, deixando aos seus filhos uma fonte de ensinamentos e a todos que o conheceram um exemplo edificante de quem soube sempre cumprir o seu dever.”

Em Canindé, João e José, participaram de importantes acontecimentos cívicos e culturais.
João Teles de Carvalho foi quem instalou a Coletoria de Brejo Santo, em 20 de janeiro de 1956, como Escrivão de Coletoria, segundo pesquisa efetuada  por Hamilton Leite a pedido do pesquisador Tancredo Moreira. João Teles de Carvalho, bacharel em Direito e Fiscal do Consumo, nasceu no dia 15 de março de 1921 e faleceu no dia 23 de setembro de 1968, em Curitiba-Paraná.

Em sua homenagem existe uma Escola Municipal de Ensino Fundamental – integrante do sistema de Educação Básica em Brejo Santo.